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Desde que estive aqui

Desde que estive aqui pela primeira vez – minto. Desde que coloquei as mãos em um livro pela primeira vez – quando mamãe lia seus Sidney Sheldosn e se irritava com a minha presença – oras, no meu quarto, o mais fresco da casa, enquanto lia tudo. Tanto que não me deixava perguntar, querer ou encontrar saída para o espaço que as férias preenchem em nossas vidas.

Quero o texto pelo texto, se posso ter algo que me diga que escrevi. Então, por favor, que venha. A linguagem assimétrica das minhas ideias, ideologias caducas – eu não sou marxista, combinado? Mas que venha em tom de paródia, se a intenção é descredibilizar alguma literatura, que venha em prosa, se é para eu estar alegre. Se é que posso ficar bem comigo ao escrever pouco mais de cem palavras. Não foi isso que disse, foi? Ontem dormi, uma noite turva, não me lembro de nada. Tive pesadelos? Ora o texto me matava, ora um gigante de palavras me engolia.

Ontem à noite comecei a beber. Bebi vodka pura, como nunca favia feito. Tomei vodka russa, eu que nunca imaginei poder experimantá-la – produto exportação, Quero uma vida toda fora do país. Talvez o texto em língua estrangeira resolva. Eu aqui, em listras, códigos que se observados fixamente não vou compreender. Bebi como se fosse feliz pela primeira vez. Nos últimos dias, uma meia luz, tenho tido vontade não só de beber, mas de me embreagar, da mesma forma como tenho tido vontade de fingir que não existo, apagar as palavras.

Ana sabe disso, essa minha amiga que guarda os escritos que escondia só para mim. Ana é minha leitora, Ana acende minha luminária. Sou um paraplégico desfuncional quando ela está por perto. Ela é só minha. Sou seu Sidney Sheldon, para Ana. Meu nome é Júlia, mas um dia, quando me disfarcei de ruiva, fui Sabrina e não soube o tanto que poderia se Amanda – aquela de Ugly Betty – ingênua, boa, high-style, burra. Queria de verdade era ser loura. Esqueça, nunca aprendi a andar de saltos – digo o mesmo sobre escrever. Eu queria mesmo era ser uma literatura, se serve de consolo para você.

um ano

Quase um ano depois estou aqui de mãos abertas. parece muito tempo, não é. Lembro bem do post que fiz no dia 11 de novembro do ano passado. Longe aquela sensação. A noite em que tudo apagou. Estava no cinema (fui tão pouco no cinema em 2010).

2011 é um ano que se anuncia tão diferente. Não sei porque, não entendo bem o sentimento. As coisas acontecem, terminam – a gente tem que se reiventar. Aproveitar as sobras para construir, fazer algo com que possamos ter algum orgulho.

Não me arrependo de nada que escrevi aqui – comecei fazer o balanço – destes últimos seis anos porcamente documentados nos blogs que foram mudando de endereço comigo. Um tantinho de mim nesta fase Espírito Santo ficou no blogger, no livejournal, nos dois wordpress que tive e neste outro, ainda tímido, comecei há pouco. Não espero sucesso – só disciplina e prazer. Água na boca.

Outro dia tive este sentimento, lembrei deste afternoon crash car. Pesou o fato de acontecimentos não noticiáveis me prenderem à vida no final do feriado. Deu saudade de tudo, da minha vida nos anos de faculdade. Orgulho também, dos blogs e dos erros de português. Até dos textos tenebrosos que passaram por aqui. Mas eu vou fazer o quê? Não posso me envergonhar da forma que tomei depois de um monte de transformações.

Os cinzeiros ainda estão cheios – eu sei. As mesmas dificuldades para dormir e acordar – sou uma criança chorona. Tenho ainda essa vontade de escrever que me cega, que me deixa paralisado em frente ao computador sem saber para onde olhar. Sei que não faço por mal. Não é para agredir ninguém. Talvez seja uma maneira de me machucar um pouco. Compreender que sou uma pessoa de verdade e que tenho que, por meio de palavras tortas, saber que existo, que sinto, que arranjo soluções para uns contetamentos com isso daqui. Minhas indecisões.

***

Não escrevi nada este ano. Não foi de propósito. Foi tudo tão rápido. O primeiro semestre foi de ansiedade e expectativa. Parece que nada aconteceu nos primeiros seis meses de 2010. O segundo foi de angústia, noites mal dormidas, insegurança, mas fazer o quê? Agora estou tranquilo. Apesar de me enrolar com o trabalho, tenho segurança nele, sei que tenho um apoio, idéias no papel – e que se elas não são bem articuladas é um reflexo – ainda – do que sou.

Adiciono sequências intermináveis para as coisas, inclusive isso daqui. Não acaba nunca. Nem quero que acabe. Quero o ponto final em um texto. Não é pedir demais

Passagem

3a ponte Olho para trás. Olhos fechados, a boca aberta. Quando olho, parece que tudo flutua. O entardecer começa com um céu acobreado, de dentro da segunda-feira, o ônibus cheio – quando não nos permitem o direito de respirar e o que passa pela janela fica para trás em uma fila, que regressa ao ponto inicial como se fosse parar – e para muitas vezes. Descansa quem caminhou e tem as pernas adormecidas.

Atrás, onde ficaram as horas do dia que, um pouco mais claro, deixava ver menos do que se pode ver no adiantado do. É tarde, a segunda envelhece. Todos são velhos no ônibus. Olho para trás e a fila continua estática, uma fila sem fim que não nos atravessa, não atravessa também todas as falas entrecortadas e ruídos que não pertencem a um lugar próprio. Buzinas que também não permitem respirar.

Fico lá atrás. Os olhos fechados e a boca aberta, sussurrando sem compasso. O dia algo para o fim, que ritmado, inclina pouco a pouco, perto, a conclusão. O peso sobre o corpo confuso com as luzes que flutuam nas listras do lençol faz da tonteira algo mais desconcertante que o próprio estar no interior do ônibus. Os sons do esforço contínuo, da vontade que a falta de força aplaca. A necessidade da conclusão que não chega.  A cara riscada pelo sono profundo que permite o céu. Mas estaciona.

Daqui de cima o mar provoca perdição. Turvo e nebuloso. Não as constelações que brincam de brilhar quando o sol está forte. A queda é dura com o mar assim. Oceano que foge das descrições convencionais: um mar sem paz, de água doce. Só a existência de vidas ainda desconhecidas, lá embaixo, no mergulho para quem não pode ver.

Os faróis acesos anunciando que além do mar e do céu, nas profundezas impossíveis de enxergar de cima, ainda vive algo que não se pode conhecer. Que na queda dura do térreo ficam para trás sugestões, e o dia continua para o desconhecido, em compasso, mesmo que ainda indeterminado.

Saudades do Centro

Foto-A0081

dói porque eu me engano, me encanto, me acho maduro demais.

artefat

um eterno primavera verão que não quer passar.

você entra na academia e um papo pseudo-pós-moderno de nietzsche fica rondando pra lá e pra cá. como outras viroses bizarras, contamina todo mundo. agora, depois de passar o dia inteiro pensando, acho que esse filho da puta não deveria ter matado deus, aliás, nem sei se conseguiu, eu pelo menos ficaria muito mais feliz se ele tivesse ao menos tentado, se empenhado só um pouquinho em destruir todas as mães do mundo. todos, tenho certeza que sim, seriam mais felizes.