Bang Bang

“Bang bang you’re dead!
Oh you’re so easily lead”

Carl Barat

Sacou a pistola e alvejou toda a alameda central sem piedade, riu de contentamento ao enxugar ao suor que lhe salgava os lábios. Vidros estilhaçados, correria, uivos de pavor e donzelas desatinadas, ofuscadas pela claridade da luz tardia, os feixes que entrecortavam palhoças, galpões e cocheiras. E os homens? Cagavam-se todos, partiam em disparada, as pernas tremiam só de ouvir falar o nome.

Caminhou em direção ao amontoado, não havia escapatória, sentia as esporas tremelicando em seus calcanhares, reluzindo prontas para desativar a noite. Atravessou, o ranger da porteira narrava o crepúsculo, anunciava o apocalipse. Olhou torto, enlaçou a rapariga em seus braços, desprezou-a, filmou os passos desencontrados do cowboys, identificou a presa, sacou a arma. O cheiro de pólvora inundou o ambiente. Um silêncio terminal. Pulou o balcão, retirou a orelha que havia caído dentro do pote de azeitonas. Mastigou, cuspiu fora de nojo. Era só mais uma orelha.

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2 Respostas para “Bang Bang

  1. haha
    Muito, muito engraçadinho!

    😉

  2. Acredite!!! Adoro o Rio, só aqui encontro Ferreira Goulart na esquina. E falo:
    -Ferreira, sou sua fã.
    – E ele: Que legal!!!!
    Nada a ver, mas é Ferreira, sujo… Puro, velho, de cabeça branca!!
    Morra de inveja.

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