Poeira.

Todas as crises do mundo podem estar concentradas numa única cabeça suja e oleosa. Todos os nosso sonhos podem estar dispersos numa mesa, prontos para serem organizados por uma mesa de decisões que não temos tanta facilidade de organizar, juntar para depois dispersar. Eu bem que poderia fazer da minha caneca cinzeiro meu poço de desilusões; talvez eu não esteja sendo sincero quanto a isso, talvez eu seja bastante arrogante para fazer isso, talvez eu só escreva em códigos e não  seja um cara suficiente forte para dizer o que tenho que dizer e só escreva em códigos. Mas tudo se resume em códigos e capas de revistas.

Quando não acordo em profunda depressão vou dormir nessa depressão arrasadora. Fruto dessas decisões que não tomo, desses olhares que não quero encorajar, desses momentos que faltam e que insisto em discutir de forma pouco honesta e realista. Hoje acordei como o dia, inseguro e chato, despretencioso; e quanto mais reluto para não ser meticulosamente indeterminado nesses dias, reluto para me aceitar transitivo no sentido verbal e simplista no sentido individualista.

É que hoje gritamos e percebemos que não temos tanta força quanto nossos sonhos imaginam e querem. Sonhamos com um mundo tão diferente e deliciosamente tão imaturo e irracional. Talvez tudo, toda essa dúvida e duvidoso presentimento seja esse sonho de bandeiras vermelhas hasteadas sob um solo imaturo e infértil, sob um solo tremendamente duvidoso. Talvez eu seja um grãozinho de poeira desse pedaço de terra.

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