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tentei fugir pela porta dos fundos, tranquei-a, mas esqueci as janelas abertas, as janelas da minha alma, as flores do meu sentimento, a catarse da minha vida, meus sonhos escondidos e minha gratidão acumulada. fosse como fosse, estaria tudo razoavelmente igual não fosse esses decassílabos, a nasalização dos meus sentimentos.
corro para não esquecer que as horas passam e estou aqui, ainda esperando sua presença, seu discurso sobre o discurso, suas unhas arranhando a mesa, a estepe, a forma como posso significar sua língua e lancá-la ao vento, a testura da sua pele macia, rejuvenecida pelas lutas. 
hoje entrei pela porta da frente da faculdade com um sorriso forçado. é que sabia que encontraria você e não queria, de forma alguma, ter contato com essa purificação espeiritual que emana da sua vida, seus cabelos sem opacos, sua calvice eminente. você tentou extirpar toda minha radicalização, levar par o lado mais obscuro, politicamente falando, meus sentimentos e minhas ceitas, todos os espaços onde convergiram meus sonhos. você acordou para o dia tranquilo que se tornou sua vida, meu ponto de encontro, aquelas flores quebradas. 
vou correr, fazer o chá e te esperar para o almoço, posso estar enganado, mas, você foi quase tudo para mim, quase todas as horas desperdiçadas em leituras cansativas e monólogos pulsantes. quero esperar o o tempo passar, um outono calmo, o calor do seu corpo, a voz das sua ideologias, não tenho pressa para esquecer todas as coisas, não tenho momentos de total idolatria pelo meu eu, estou feio, sei, não posso negar.

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