Ploc

Vou escrever em caixa alta:
PLOC!
No ponto de ônibus com a partida de dois ônibus verdes nos dividimos, vazios, como uma bola de chiclete que murcha pouco a pouco, melhor, explode com um PLOC!
Estávamos nos divertindo enquanto tudo passava, o mundo parava ao nosso redor, os cheiros inebriavam aos poucos, os olhares sacudiam-nos, as vozes enchiam-nos de vitalidade e força. O flerte da nossa infância, dissolvida em ânsias – já falei de ânsias – nossos sentidos perdidos a força no vazio da bola vazia, cheia de vitalidade, de som, seu ar – PLOC!
Combinamos!
Eu sei!
Já foi tempo!
Não exagere!
Ah, mas é assim, sim!
Então tá bom!
Esquece!
ÓTEMO!
Hey, não seja tão rude comigo, tá? Enquanto fico pensando em adubar toda areia da praia, arando-a com os dedos levantados verticalmente você finge não saber, sabe, não se lembra do quanto foi rude e fugaz. Pois é, fugaz!
Não peço justificativas, explicações para nossos reflexos nas estrelas prata, incrustadas no retângulo laranja, são quatro palavras que resumiriam nosso amor, um acróstico:
I – íamos
T – tão
A – apaixonados
U – uhuhhhhhhh
! – foi o amor, não se empolguem!
Pô, não me pergunte! Acabou, pois é! Como o gosto do chiclete, o doce ou o amargo, delimitados por alguns minutinhos, depois só nos resta o PLOC, um jeito de enrolar a vida, mastigar lembranças, acender fogueiras a moda antiga – faíscas – ficamos relembrando, exageradamente melancólicos e errados, ambíguos, descompromissados!
E disseram-me que o ângulo de número 3 é o que mais sofre. Sabe de uma coisa? Já passou! Todos nós estamos em outras, racionais? Não, porém, apaixonados pela vida, nossa imensa borracha mastigável, saborosa nos primeiros cinco minutos. Pera aí, estou confundindo a vida com o amor? Revelador, não? E se todos fôssemos iguais, perfeitos? Já não basta nossos corpos se encaixarem perfeitamente? Não é que acredito em Deus?
E acho que vocês não estão entendo: foi uma comunicação interplanetária, vestíamo-nos de branco, conversávamos de branco, feito pais de santo, brincando com as pedras jogadas na rua, com nossas conchas de tarô, vendendo nossas almas xerocadas em livros pelas praças da cidade, foi mais ou menos assim!
E se nos perguntassem como íamos, diríamos PLOC, ou POLO, se houvesse confusão. Desculpem, somos cidadãos globais. Enfim, resumidamente fomos grudados por forças interplanetárias, nosso acróstico não esquecido, assim, como o de Jesus Cristo:
J – juntos
H – haverá
V – vitória
! – não em Vitória.
Temos a vida inteira pela frente, esqueçamos Vitória, como nosso último PLOC, ou uma POLO vermelha, manchada com o sangue dos sem terra. Somos cidadãos globais, separados não por dois ônibus verdes, existe também um aeroplano que imagino ser branco e um punhado de idéias caídas do caminhão.

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