carta à paixão

Seus olhos assistem aos meus olhos sob a fogueira plantada sob espáduas de bustos dourados-transparentes.Talvez seja o misticismo que obriguei ter nossa relação, talvez seja o vento freso das 20h que entra pela janela do meu quarto, talvez seja as copas muito verdes das árvores que vejo daqui de cima. Vejo o Sol do teu Sol dourado, às vezes transparente como a fumaça dos cigarros que vi queimar entre os dedos finos e frágeis que toquei com afeto e paixão.
Nada adiantará ficar fragilizando uma relação que existe nos olhares e pequenos beliscões nos corredores da vida, dos almoços nos quais cruzamos rajadas de ar quente como quem não se permite querer, como aqueles que já não se querem, como aqueles que fingem não tocar as estrelas do céu em sonhos passivos, talvez intrigantes, dispersos em desejos aflituosos e semânticos.
Grande inocência trazer à tona todas as horas consumidas em reminiscências sobre nossa vida, sobre todos os momentos que derramamos o líquido dourado-gelado pelas gargantas sedentas de afeto e compaixão, sobre as horas passadas sobre os teclados manchados de amarelo, sujos de desejo e dor das suas gozadas aflitas e quentes.
Foi no momento sublime do desejo que negamos nosso amor. Toda relação é um livro com páginas preenchidas de histórias que já aconteceram, como a nossa não aconteceu, de fato, tudo está em branco, pronto para contecer. Por isso continuo a cruzar olhares incestuosos com o céu que você pisa, com as brancas nuvens que jamais tocaremos com as mãos, nossos eternos problemas na coluna vertebral, na sustentação dos braços e pernas que não permitiram a dor do amor.
Por isso que continuo a cruzar os olhares dourados-transparentes com o mundo que lhe rodeia e almeja, com a vida narcisista que se tornou sua vida, com as plantas que piso quando atravesso as avenidas ensolaradas da abstinência das mãos que toquei por pouco tempo, meu eterno aperto de mão de amizade. Que suas mãos toquem a copa das árvores que vejo daqui de cima, seja a cerveja gelada que bebo pensando em quanto foi bom tocar sua mão hoje, pelo menos para entregar aqueles olhares na hora do almoço, pela couve martirizada pelas facas que decepam nossa relação, pelo seu sorriso que rodei meu ser extremamente insignificante para sua dignidade conservadora.`
É em fúria que digo que vou insistir nos jogos em campo aberto para deletar toda sua fragilidade obscura que ainda não entendo bem, pois bem, basta observar que todos vocês são apaixonados pela paixão – isso já é um bom começo por quem está rodeado de desejo.

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