texto para o entrementes

Cinco aulas em duas horas, ou sei muito inglês e sou muito inteligente, ou é a garoa que conspira me favorecendo. Um carro dirigido pela PESSOA andando devagarinho atrás de você em uma noite com a garoa, um beijo dentro do carro. Um cachorro quente e depois um beijo, um banho…..um cigarro.
Um telefonema às duas da madrugada. Como está quente hoje, né? Vou tomar a fresca matinal. Todos seus segredos sabidos em off, minhas coisas dispersas sobre a escrivaninha suja enquanto penso no quanto valeu ter tomado a fresca de uma madrugada abafada. Os ares de inverno entrecortados por veranicos agradáveis e apaixonantes.
Todos os meus domingos como o da semana passada, os domingos tristes e insólitos em que fizeram questão de ligar e ficar horas no telefone com você, aqueles convites para o cinema, os CDs analisados sobre um edredom quente e fofo.
Ouvir a Regina Spektor nos dias de amargura, não, aquele telefonema basta, uma atenção barulhenta faria todos os mundos muito melhor. Já chega de literatura fantástica, as pessoas já não suportam seu tom arfante, um sorriso serviria para aliviar todas as tensões, dos nervos cartilaginosos aos nervosos.
Então olhamos para trás e vemos tudo que quisemos ver nas últimas 26 semanas, e tudo é tão claro e sonolentamente romântico, então o tal molho de cachorro quente é tão fresco e saboroso, então um beijo é tão lindo e completo para todos que só querem a companhia num domingo chuvoso, para todos que já não suportam mais todas as medíocres aulinhas de inglês!
Então a vibração do celular é sentida com tanta ânsia e paixão em todas as madrugas frescas nas quais só queremos um copo de limonada muito gelado para adoçar, quem sabe azedar o tal ato sexual que o ar matinal vai inspirar, promover como santo, como o ato mais puro, puto, inigualável.
Então todos os domingos serão perfeitos, os domingos com a pipoca já murcha das horas que ficou espalhada por todo quarto, das horas abruptas e espaçadas que não percebemos passar, do chão sujo! Meu chão sujo, você com as pernas cruzadas falando dos grandes episódios de Seinfeld. Outra presença? Só os bichinhos feitos com a fumaça do cigarro. Os lábios ainda tremulantes de todo sexo oral que nos submetemos. O edredom macio e doce e os CDs preferidos que já não são os mesmos como grandes testemunhas.
E a tal da Regina Spektor já não faz sentido algum porque o telefonema basta e não precisamos mais tocar neste assunto, estaremos tão felizes que queimaremos, queimaremos sim, todos os livros em rituais mágicos de celebração. E por que não fotografarmos nossas gargalhadas para não precisarmos mais de outras lembranças quando tudo acabar?

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