o branco do sopro e o azul que odeio

Nudez imperceptível, discretamente encoberta pelo lençol azul, o travesseiro minúsculo e mal cheiroso com sua fronha azul. Azul da culcha de retalhos que se tornou a vida de J.
O lenço e a colcha. O travesseiro é azul. Não são azuis. Na verdade não claros, e sim com muita luz.
A tinta branca cede luz para a cian criando tons secundários singelos e doces, infantis, pálidos. ah. O gouache tem que ser Talen, por vavor, né?
Somente azul e branco. Ah. Azul, branco e cinza. O laranja queente dos cigarros queimando não possui vez na hist´roia.
Tudo azul, cinza e branco.
quero esclarecer aqui que o azul é um mero coadjuvane, apesar das muitas citações. Não faz parte da história, realmente, está aqui para completar o trio. Para ser o vértice número 3 do triângulo.
Um dia me disseram que o terceiro vértice é o que mais sofre.
J. está deitada na cama, como já disse:sua nudez é quase imperceptível. Se não fosse o excesso de luz que entra pela janela não poderíamos perceber a textura doce de sua pele, honey!
Peito ofegante, o-fe-gan-tee. Olhos fechados, antes posados no sexo, voltados para o outro sexo, não para o seu sexo. Aquele ato covarde, cheio de pecado. A corrupção pelo desejo.
Não ama, é a perversa corrupção pelo desejo.
O azul foi-se, a tarde começa a findar-se. O cinza agora toma todo o céu. Cinza do último suspiro de vida da tarde. Cinza do último suspiro de J.
Não disse que o peito estava ofegante? Não disse que o terceiro vértice é o que mais sofre?
Pois é!
Eu detesto azul!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s