meninas
Dezembro 27, 2008 · 1 Comentário
Roberta não aprende. Todo domingo as duas estão sempre iguais: o cheiro dos cabelos, os mesmos pedidos, a mesma descosideração.
Antigamente recebia os finais de semana como um vento renovador. A visita das meninas arejava aquela casa com gargalhadas gostosas e inconveniências. Abraços e beijos, declarações de amor. Roupinhas limpas e passadas…
Roberta sabe que não posso aos domingos, que não gosto do cheiro do creme para pentear, que é constrangedor ter as meninas por perto quando tenho que estar com outro alguém.
Aos domingos Marcos aparecia e forçado à convivência teve que se afetuar aos poucos, sem cobranças. Familiar, a afeição ecoou pela casa.
Tio Marcos, me compra o salão de beleza da Susi?
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Dezembro 25, 2008 · 2 Comentários
fotos maravilhosas de tony duran.

no site tá tudo dividido, capas de revista, catálogos de moda e uma parte de conteúdo adulto ice ice ice!
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velotrol
Dezembro 22, 2008 · 3 Comentários
O corpo range como algema presa. Seco, pendura no cabide as blusas molhadas após quarar: quatro horas e o sol não se foi, as manchas persistem, são provas de que tudo permanecerá. Tudo está intocado: hematomas, nódoa de bananeira.
Cobre a fina superfície do travesseiro com a fronha multicolorida. O dia brilha, o filme volta num plim-plim irrempreensível. O dia é lindo e banhado ao som de cachoeira – disseram que não havia nada para observar além do som da cachoeira.
Quando era criança, lembrou anos mais tarde, o grande sonho era ter um velotrol. Descer as ladeiras embalado, violentar os joelhos violentados, arrancar a casca dos ralados quase cicatrizados. Hoje sabe que o corpo dói como algema enferrujada quando lembra do pai contar:
faz-se um furo cilíndrico no caule da bananeira e enfia-se o pinto, enrigecido, entumecido e jovem, aniquilado. as manchas de nódoa na roupa podem dununciar, sendo assim, fique nu em pelo.
Com o tempo toda a brincadeira faz sentido. Tornou a desejar o velotrol com todas as forças, mas não havia mais explicação. Eram tempos de pipas e bicicletas. Mais uns meses e nada mais. A gente sente dor aos oito anos, mesmo que digam o contrário. E a infância passa.
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Dezembro 19, 2008 · Deixe um comentário
add new post: vacation diary!
primeiro: o demônio urge ao pé do meu ouvido direito, finge que não, mas me leva para longe.
segundo: o caminho de volta para casa é sempre mais longo nas madrugadas de sábado. tiro o tênis e compro uma lata de coca.
terceiro: esquecer o bolo de laranja no forno antes de dormir. ps.: asfixia no começo da manhã, cheira à queimado.
quarto: levar para sempre as recordações numa sacolinha amarrada à cintura. um patuá envenenado para chamar de meu.
quinto: não prometer atualizações em férias que prometem ser longas e angustiantes. improdutivas, mas como nunca.
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Etiquetado: férias
escadas
Dezembro 4, 2008 · 5 Comentários
A alça da mala arrastava pelo chão empoeirado. As paradas do ônibus e o ar condicionado, complemento perfeito para empestear a alma com o cheiro dos cigarros. Não via nada ao seu redor, mesmo com os acordes rasgados culminando, destruindo seu aparelho auditivo, mesmo com toda a pressa anti-moderna da rodoviária: mães e tias, bermudas florais e regatas, estudantes esperando para embarcar e enterrar as falsas responsabilidades pelos próximos dias; nada disso afligia, mesmo as figuras estranhas, nem a desconfiança. Seguia em linha reta, sem reagir aos empurrões a ao volume de pessoas que assim como ele, remavam contra a maré, sempre, contra a maré…
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Novembro 15, 2008 · 2 Comentários
Visto! Revisto, analiticamente, detalhisticamente todos os acertos. Bah! Ele não diz nada a respeito, finge que fugiu de mim. Aquilo de mentir, gente que só disfarça, esse povo que faz charme, fica de agradar, às vezes agrada, mas não convence. E cara, ele acha que me ganha quando exalta, glorifica minha saia, fantasia minhas noites.
Ai amor bandido! O cara é um mentiroso, um corrompido. Só se eu fizesse o tipo, quero a cena Balzaq político. Pena ele não ser católico! No fim das contas fica sempre por isso, nas noites de sexta eu assistia ao High School, tentava lembrar que o tempo passou.
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Novembro 11, 2008 · 5 Comentários
corre de chinelo na chuva e fuma com o cabelo molhado. brinca de perdida na cama que simula a tal ilha deserta e evapora no ar de vergonha quando chega em casa respingada de barro, desvirginada e imprecisa. um pau francês que mora na inglaterra e gosta do brasil – maria escreve no diário e não se arrepende. ainda sente o gosto de cebola china in box do sábado de manhã quando o dia teimava em amanhecer.
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Etiquetado: conto, Jornalismo, Literatura, Microconto
Novembro 3, 2008 · Deixe um comentário
extra! extra!
haroldo cometeu orkutcídio.
acompanhe aqui a maratona que se inicia agora. 15 dias na vida de uma pessoa sem orkut e suas limitações. o final desse história você confere no UniversoUfes – Lab. do Curso de Comunicação Social da Ufes daqui há três semanas.
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Etiquetado: jornalismo digital, morte, orkut


