Começou quando cobriu quase o país inteiro em luto após matar a mãe em uma jogada inesperada. Um apagão sobre as cidades dominadas por hordas de sombras. As ruas banhadas pelo neon das estrelas, que além de brilhar mais forte, cobriam com o fogo anunciado os morros da cidade.
Num descampado, no deserto
banhado pelo vento e os barulhos da noite, se estivesse de olhos fechados, poderia sentir o estremecer da terra em exclamações quando o mundo, em sequência, começou a apagar. Mas, de dentro da sala escura, feito quem se prepara para o luto, o som seco da lâmpada de projeção já queimada anunciando o fim, suposto presságio do melodrama vindouro.
Daqui de cima, o abismo superior. Todas as ilhas esquecidas e entregues às sombras de uma noite completa. A exaltação periférica dos que olham para o horizonte e, no além mar, com mais clareza se distingue o infinito do abismo. A rodovia flutuante. As pontes não esquecem os que transitam. As pontes não existem quando o mundo apaga. Daqui de cima, nos morros da cidade, tudo brilha mais devagar.
No trânsito desarticulado o clima noir deposto pela chuva torrencial que varre a cidade e despista a desesperança num final convencional. A mesma chuva. Música para os créditos finais.
“As pontes não existem quando o mundo apaga”.
Pois comunicação nas sombras, quando percebemos que somos uma, é uma coisa muito complicada. Acho que por isso é tão complicado escrever sem audiência ou feedback.
Olá! Já gostamos do seu blog! E te convidamos para visitar e conhecer o nosso:
http://vivaocentrovix.blogspot.com/
Um ótimo dia!
Pingback: um ano | afternoon crash car