A alça da mala arrastava pelo chão empoeirado. As paradas do ônibus e o ar condicionado, complemento perfeito para empestear a alma com o cheiro dos cigarros. Não via nada ao seu redor, mesmo com os acordes rasgados culminando, destruindo seu aparelho auditivo, mesmo com toda a pressa anti-moderna da rodoviária: mães e tias, bermudas florais e regatas, estudantes esperando para embarcar e enterrar as falsas responsabilidades pelos próximos dias; nada disso afligia, mesmo as figuras estranhas, nem a desconfiança. Seguia em linha reta, sem reagir aos empurrões a ao volume de pessoas que assim como ele, remavam contra a maré, sempre, contra a maré…


5 respostas Até agora ↓
demm charbak // Dezembro 6, 2008 às 1:56 am |
oh sim, conheço tua escrita há pouco tempo. na verdade quem me apresentou seu antigo blog foi ele mesmo, até então eu lia o antigo. o tempo passou e visitei novamente sua página, mas vendo o último anúncio deste, acabei parando aqui.
é normal gostar de ler o que as pessoas escrevem sobre suas vidas. resolvi assumir que gosto de ler você, adicionando-o. fico feliz e grato que tenha percebido e gostado também.
aliás, o texto do orkuticídio é uma mentira.
Haroldo Lima // Dezembro 6, 2008 às 9:38 am |
não foi mentira.
era para fazer uma matéria para a faculdade, na verdade estávamos fazendo um especial orkut. eu me candidatei para ser o suicida – foram três semanas e só.
Rafael // Dezembro 7, 2008 às 10:01 am |
“mesmo com toda a pressa anti-moderna da rodoviária: mães e tias, bermudas florais e regatas, estudantes esperando para embarcar e enterrar as falsas responsabilidades pelos próximos dias”
Tive a mesma sensação na semana passada, mas sem a descrição de anti-moderna.
Rafael // Dezembro 10, 2008 às 8:12 am |
É, passou pela minha cabeça em ir a um sebo procurar livros.
Quando terminar minhas provas eu vou.
Queria encontrar Admirável Mundo Novo em capa dura, seria fantástico.
Patrícia Kalil // Dezembro 17, 2008 às 2:30 am |
Oi, Haroldo que escreve. Já é feliz? Encantada com seu blog. Gostei do texto, pausa, olhar, ritmo. Gostei do tempo, essa pressa anti-moderna. Sempre bom encontrar blogs literários por aí, mergulhar em contos, microcontos, textos e outras palavras. Parabéns.
Um abraço, Patrícia