Começou quando cobriu quase o paÃs inteiro em luto após matar a mãe em uma jogada inesperada. Um apagão sobre as cidades dominadas por hordas de sombras. As ruas banhadas pelo neon das estrelas, que além de brilhar mais forte, cobriam com o fogo anunciado os morros da cidade.
Num descampado, no deserto
banhado pelo vento e os barulhos da noite, se estivesse de olhos fechados, poderia sentir o estremecer da terra em exclamações quando o mundo, em sequência, começou a apagar. Mas, de dentro da sala escura, feito quem se prepara para o luto, o som seco da lâmpada de projeção já queimada anunciando o fim, suposto presságio do melodrama vindouro.
Daqui de cima, o abismo superior. Todas as ilhas esquecidas e entregues às sombras de uma noite completa. A exaltação periférica dos que olham para o horizonte e, no além mar, com mais clareza se distingue o infinito do abismo. A rodovia flutuante. As pontes não esquecem os que transitam. As pontes não existem quando o mundo apaga. Daqui de cima, nos morros da cidade, tudo brilha mais devagar.
No trânsito desarticulado o clima noir deposto pela chuva torrencial que varre a cidade e despista a desesperança num final convencional. A mesma chuva. Música para os créditos finais.
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, Jango
Olho para trás. Olhos fechados, a boca aberta. Quando olho, parece que tudo flutua. O entardecer começa com um céu acobreado, de dentro da segunda-feira, o ônibus cheio – quando não nos permitem o direito de respirar e o que passa pela janela fica para trás em uma fila, que regressa ao ponto inicial como se fosse parar – e para muitas vezes. Descansa quem caminhou e tem as pernas adormecidas.
Atrás, onde ficaram as horas do dia que, um pouco mais claro, deixava ver menos do que se pode ver no adiantado do. É tarde, a segunda envelhece. Todos são velhos no ônibus. Olho para trás e a fila continua estática, uma fila sem fim que não nos atravessa, não atravessa também todas as falas entrecortadas e ruÃdos que não pertencem a um lugar próprio. Buzinas que também não permitem respirar.
Fico lá atrás. Os olhos fechados e a boca aberta, sussurrando sem compasso. O dia algo para o fim, que ritmado, inclina pouco a pouco, perto, a conclusão. O peso sobre o corpo confuso com as luzes que flutuam nas listras do lençol faz da tonteira algo mais desconcertante que o próprio estar no interior do ônibus. Os sons do esforço contÃnuo, da vontade que a falta de força aplaca. A necessidade da conclusão que não chega.  A cara riscada pelo sono profundo que permite o céu. Mas estaciona.
Daqui de cima o mar provoca perdição. Turvo e nebuloso. Não as constelações que brincam de brilhar quando o sol está forte. A queda é dura com o mar assim. Oceano que foge das descrições convencionais: um mar sem paz, de água doce. Só a existência de vidas ainda desconhecidas, lá embaixo, no mergulho para quem não pode ver.
Os faróis acesos anunciando que além do mar e do céu, nas profundezas impossÃveis de enxergar de cima, ainda vive algo que não se pode conhecer. Que na queda dura do térreo ficam para trás sugestões, e o dia continua para o desconhecido, em compasso, mesmo que ainda indeterminado.
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Até muito tarde escrevendo, enfim, coisa séria – além da garganta que já-já pede um antibiótico. Um texto que está parado há quase dois anos e que descobri, pode ter uma cara completamente diferente, falar com entonação diferente, que pode ser sarcasmo, muito maior sobre as mesmas coisas. Acho que combina mais com sarcasmo, não melancolia.
Ah! Começa descrevendo o apartamento. O chão, de que material é o chão? Esse, o dos quartos, ou o da sala, dos outros cômodos? O da sala, o da sala é liso e branco, esse. Passando pelo corredor hoje, antes de anoitecer, vi a quantidade de cabelos, outros pelos espalhados pelo chão. Tem que ser o da sala. Descrevemos o apartamento inteiro? Não melhor não, só o piso, o piso e a vista, que é de estarrecer, essa vista de bronze no final da tardinha, lá atrás, quando o mundo começa no Moxuara. Então tá. Fica a imagem do chão sujo, manchado e com pelos, além da paisagem, única coisa de boa no apartamento. Mas é janeiro. Falamos do calor também? Não, calor não, nesse caso calor é anticlimático. Vai, continua…
Foi olhar para cima após uma cerveja e pensar no quanto o sol queimaria de manhã que apaguei, quase às 4h. Poderia ir à praia no outro dia, hoje, dia de sol brilhante e preguiça extasiante.
Em casa, na internet: Crônica de @jpcuenca muito boa.

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É quando tenho mais sono. Quando o cansaço é tão grande que sufoca como o peso no peito pós-quatro bolinhas tomadas em uma noite que não queria saber quem era, que estava fazendo, se falava com pessoas que não gostam de mim, que sinto esse frio que ouço tanto falar. Esse vento que não parece que bate, mas que desce aos poucos, trava pouco a pouco lÃngua e estômago, transforma o órgão que sempre tive mais medo de machucar num labirinto congelado sem iscas de pão, muito escuro.
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palmas para o amigo apagadinho.
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dói porque eu me engano, me encanto, me acho maduro demais.
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um eterno primavera verão que não quer passar.
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todos os amantes ao meu lado
num resquÃcio de solidão
que desanda
e some
no clarão do dia ao entardecer
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