afternoon crash car

Julho 3, 2009 · 1 Comentário

Qual seria com precisão o peso do coração de um beija-flor?

Uma arma poderosíssima capaz de produzir com sua pulsação 500 batidas de asa por segundo, sustentar a imobilidade de 21 gramas por períodos de tempo que parecem infinitos quando flagrados ao acaso, vivem de constantes deja vus essas criaturas. Poderoso também é o bico do beija flor. Para algumas plantas a única esperança de sobrevivência futura se apóia na mágica penetração do estreito equipamento dos colibris no profundíssimo interior ovariano das flores tubulares.

São aves que vivem no infinito prazer. Voyeurismo inocente e pouco observado pelos maiores homens biólogos. Comem muito, mas não são gordas. Esguias, me parece às vezes que fumam um cigarro atrás do outro. Fácil confundir seu poderoso bico com uma piteira, a fosforescente plumagem com um Chanel. Um coração enorme e afrodisíaco, pronto para explodir ou ser extirpado pela necessidade irreparável do homem de destruir o belo pelo regozijo do sabor sexual.

Às vezes beija-flores são puramente humanos. Em seus aparentes e nunca desgovernados vôos, encontram-se sempre em rota de colisão, mas não colidem. Imunes à destruição supostamente calculada, abençoados com a capacidade excepcional de estancar do nada, dar marcha ré quando não os apetece uma situação – quando a crença na vitória não é suficientemente grande para manter um desfile majestoso de sonho e esperança. A beleza externa confundida com o cancro que consome o interno.

Ou seriam os humanos puramente beija-flores? Não importam os cursos, boeings or buses, seriam os colibris capazes de prever, dada sua capacidade quase irrestrita de se adiantar à vida, quais seriam as encruzilhadas? Em qual momento faltariam os 21 gramas de ar? Sobrarão 21 gramas de sangue quando a vida estiver derramada? Quando o que chamamos de um tudo vira pó?

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Junho 17, 2009 · Deixe um comentário

artefat

um eterno primavera verão que não quer passar.

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Abril 12, 2009 · 2 Comentários

todos os amantes ao meu lado

num resquício de solidão

que desanda

e some

no clarão do dia ao entardecer

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Abril 10, 2009 · Deixe um comentário

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meninas

Dezembro 27, 2008 · 1 Comentário

Roberta não aprende. Todo domingo as duas estão sempre iguais: o cheiro dos cabelos, os mesmos pedidos, a mesma descosideração.

Antigamente recebia os finais de semana como um vento renovador. A visita das meninas arejava aquela casa com gargalhadas gostosas e inconveniências. Abraços e beijos, declarações de amor. Roupinhas limpas e passadas…

Roberta sabe que não posso aos domingos, que não gosto do cheiro do creme para pentear, que é constrangedor ter as meninas por perto quando tenho que estar com outro alguém.

Aos domingos Marcos aparecia e forçado à convivência teve que se afetuar aos poucos, sem cobranças. Familiar, a afeição ecoou pela casa.

Tio Marcos, me compra o salão de beleza da Susi?

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Dezembro 25, 2008 · 2 Comentários

fotos maravilhosas de tony duran.

tony-4

no site tá tudo dividido, capas de revista, catálogos de moda e uma parte de conteúdo adulto ice ice ice!

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velotrol

Dezembro 22, 2008 · 3 Comentários

O corpo range como algema presa. Seco, pendura no cabide as blusas molhadas após quarar: quatro horas e o sol não se foi, as manchas persistem, são provas de que tudo permanecerá. Tudo está intocado: hematomas, nódoa de bananeira.

Cobre a fina superfície do travesseiro com a fronha multicolorida. O dia brilha, o filme volta num plim-plim irrempreensível. O dia é lindo e banhado ao som de cachoeira – disseram que não havia nada para observar além do som da cachoeira.

Quando era criança, lembrou anos mais tarde, o grande sonho era ter um velotrol. Descer as ladeiras embalado, violentar os joelhos violentados, arrancar a casca dos ralados quase cicatrizados. Hoje sabe que o corpo dói como algema enferrujada quando lembra do pai contar:

faz-se um furo cilíndrico no caule da bananeira e enfia-se o pinto, enrigecido, entumecido e jovem, aniquilado. as manchas de nódoa na roupa podem dununciar, sendo assim, fique nu em pelo.

Com o tempo toda a brincadeira faz sentido. Tornou a desejar o velotrol com todas as forças, mas não havia mais explicação. Eram tempos de pipas e bicicletas. Mais uns meses e nada mais. A gente sente dor aos oito anos, mesmo que digam o contrário. E a infância passa.

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Dezembro 19, 2008 · Deixe um comentário

add new post: vacation diary!

primeiro: o demônio urge ao pé do meu ouvido direito, finge que não, mas me leva para longe.

segundo: o caminho de volta para casa é sempre mais longo nas madrugadas de sábado. tiro o tênis e compro uma lata de coca.

terceiro: esquecer o bolo de laranja no forno antes de dormir.                                      ps.: asfixia no começo da manhã, cheira à queimado.

quarto: levar para sempre as recordações numa sacolinha amarrada à cintura. um patuá envenenado para chamar de meu.

quinto: não prometer atualizações em férias que prometem ser longas e angustiantes. improdutivas, mas como nunca.

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escadas

Dezembro 4, 2008 · 5 Comentários

A alça da mala arrastava pelo chão empoeirado. As paradas do ônibus e o ar condicionado, complemento perfeito para empestear a alma com o cheiro dos cigarros. Não via nada ao seu redor, mesmo com os acordes rasgados culminando, destruindo seu aparelho auditivo, mesmo com toda a pressa anti-moderna da rodoviária: mães e tias, bermudas florais e regatas, estudantes esperando para embarcar e enterrar as falsas responsabilidades pelos próximos dias; nada disso afligia, mesmo as figuras estranhas, nem a desconfiança. Seguia em linha reta, sem reagir aos empurrões a ao volume de pessoas que assim como ele, remavam contra a maré, sempre, contra a maré…

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Novembro 30, 2008 · 5 Comentários

karina

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